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Índice do Artigo
Começar a fazer vendas por conta própria costuma parecer simples: escolher um produto, divulgar e entregar. Na prática, os problemas aparecem nas partes “invisíveis”, como custos, prazos, troca, registro de pedidos e comunicação.
Quando alguém decide vender por conta própria, o maior risco não é “errar uma vez”. É repetir o mesmo erro por semanas, sem perceber o motivo do dinheiro não sobrar ou do cliente não voltar.
A boa notícia é que a maioria dos tropeços do início tem padrão. Com alguns ajustes de rotina e critérios claros de decisão, dá para reduzir retrabalho, estresse e prejuízo silencioso.
Resumo em 60 segundos
- Defina o que você vende e para quem, com um exemplo real de cliente.
- Calcule custo total por unidade (produto, embalagem, taxa, deslocamento e tempo).
- Crie uma regra simples de preço mínimo para não vender no prejuízo.
- Padronize prazos: pagamento, produção/separação, entrega e pós-venda.
- Tenha um texto curto de política de troca, garantia e reembolso.
- Registre pedidos e recebimentos em um controle único, todo dia.
- Escolha só 1 canal principal de divulgação no início e meça o retorno.
- Separe finanças pessoais das do negócio desde o primeiro mês.
O erro raiz: começar sem “regras mínimas”

Muita gente inicia com boa intenção e disposição, mas sem combinados básicos. A venda acontece, a rotina aperta, e as decisões passam a ser no improviso.
O problema do improviso é que ele vira padrão. Você começa a aceitar urgência, muda preço “na hora” e perde o controle do que foi combinado.
Na prática, a regra mínima é: o que eu aceito fazer, por quanto, em quanto tempo e com quais condições. Sem isso, qualquer conversa vira renegociação.
Precificação sem enxergar custos escondidos
Um erro comum é considerar só o custo do produto e “um pouco a mais”. Só que o preço final costuma carregar coisas pequenas que somam muito.
Taxa de plataforma, embalagem, etiqueta, deslocamento, energia, internet e o tempo de separação entram como custo real. Se você não enxergar, o lucro vira um palpite.
Na prática, crie um custo médio por venda e revise a cada 15 dias no começo. Em algumas rotinas, isso muda rápido e pode variar conforme tarifa, frete, região e volume.
Fonte: sebrae.com.br — precificação
Misturar dinheiro do negócio com dinheiro pessoal
Quando tudo cai no mesmo lugar, você perde a noção do que é faturamento e do que é sobra. Aí qualquer gasto pessoal parece “normal”, e o negócio fica sempre no limite.
O primeiro sinal é quando você não consegue responder, sem abrir o app do banco, quanto entrou e quanto saiu na semana. O segundo é “precisar vender mais” sem saber por quê.
Na prática, use duas rotinas: um lugar só para receber do negócio e um registro simples de retiradas. Mesmo sem conta separada, separar na anotação já reduz confusão.
Vender para “todo mundo” e falar com ninguém
Quem tenta vender para todo tipo de pessoa acaba com uma mensagem genérica. E mensagem genérica normalmente atrai comparação por preço, não por valor.
Quando você define um perfil principal, fica mais fácil escolher fotos, descrição, horário de resposta e até embalagem. Isso melhora a consistência e reduz mal-entendidos.
Na prática, escreva um retrato rápido do seu cliente mais provável: idade aproximada, onde mora, como paga, quando compra e o que considera “bom atendimento”.
Erros típicos ao vender por conta própria no começo
No início, não é só “falta de experiência”. É falta de filtro para decidir o que vale aceitar e o que vira dor de cabeça.
Os erros mais comuns são: prometer prazo sem checar agenda, aceitar personalização sem escopo, mandar preço sem incluir taxa/frete e responder no impulso quando o cliente pressiona.
Na prática, transforme esses pontos em perguntas rápidas antes de fechar: o que exatamente será entregue, quando, por qual valor total, com qual forma de pagamento e qual política em caso de problema.
Um passo a passo simples para organizar a primeira semana
Sem uma rotina mínima, você trabalha muito e sente que não sai do lugar. A primeira semana é para montar base, não para “inventar moda”.
Dia 1: defina catálogo curto (3 a 7 itens) e escreva descrições objetivas. Dia 2: calcule custos e preço mínimo. Dia 3: padronize prazos e formas de entrega.
Dia 4: crie mensagens prontas (orçamento, confirmação, acompanhamento, pós-venda). Dia 5: revise o que deu retrabalho e ajuste uma regra para evitar repetir.
Regra de decisão: aceite só o que você consegue repetir
Um bom critério para evitar caos é decidir com base em repetição. Se a venda exige um esforço que você não consegue repetir toda semana, ela vira exceção cara.
Isso vale para prazo, personalização, entrega longe, parcelamento informal e qualquer “só dessa vez”. Cada “só dessa vez” vira precedente.
Na prática, use uma regra simples: se eu não consigo fazer isso 3 vezes no mês sem me atrapalhar, eu preciso ajustar condição, prazo ou recusar.
Troca, devolução e expectativa: o que alinhar antes
Muita dor de cabeça nasce de expectativa não combinada. O cliente acha que pode trocar por qualquer motivo; você acha que “não tem troca”. Sem política, vira discussão.
Tenha um texto curto que diga: prazos, condições do produto, como comprovar defeito, quem paga o envio quando houver, e como será feito reembolso quando for o caso.
Na prática, trate isso como parte do pedido, não como assunto “chato”. E, quando houver venda para consumidor, siga as regras aplicáveis ao tipo de produto e canal.
Fonte: planalto.gov.br — CDC
Formalização e limites: quando procurar orientação
Outro erro comum é deixar a parte legal e fiscal “para depois” sem perceber que o depois chega rápido. Em algum momento surgem dúvidas sobre nota, cadastro, atividade e obrigações.
Se você vai vender com frequência, emitir nota, participar de marketplaces ou prestar serviço recorrente, vale organizar a situação para trabalhar com mais previsibilidade.
Na prática, quando houver dúvidas sobre enquadramento, impostos, contrato, responsabilidade ou exigências locais, procure orientação qualificada (como um contador) antes de assumir compromissos maiores.
Fonte: gov.br — registro MEI
Prevenção e manutenção: rotinas que evitam retrabalho
Quem vende sozinho tende a concentrar tudo: atendimento, produção, entrega e financeiro. Sem rotinas curtas, você vive apagando incêndio.
Escolha dois horários fixos para responder mensagens e um horário fixo para separar pedidos. Isso reduz ansiedade e aumenta consistência para o cliente.
Na prática, faça uma revisão semanal de 20 minutos: o que gerou conflito, o que atrasou, o que deu prejuízo e qual regra simples impede de repetir.
Variações por contexto no Brasil: bairro, interior, capital e online

O que funciona em capital pode não funcionar igual no interior, e vice-versa. Prazos, frete, confiança, formas de pagamento e até disponibilidade de embalagem mudam bastante.
No bairro e no interior, indicação pesa mais e o atendimento tende a ser mais direto. Em capitais e no online, taxa, concorrência e velocidade de resposta costumam pressionar mais.
Na prática, adapte três pontos ao seu contexto: forma de entrega (retirada, motoboy, Correios), forma de pagamento (Pix, cartão, link) e janela de atendimento (horários realistas).
Checklist prático
Use este checklist como base para reduzir erros repetidos e ganhar consistência, especialmente quando o volume aumenta ao vender por conta própria.
- Definir 1 público principal e 1 caso real de cliente.
- Listar custos por venda: produto, embalagem, taxa, deslocamento e tempo.
- Definir preço mínimo aceitável e quando reajustar.
- Padronizar prazo de resposta e horários de atendimento.
- Definir prazo de entrega por tipo de envio/retirada.
- Criar mensagem padrão de confirmação do pedido.
- Criar mensagem padrão de atualização (em produção, separado, enviado).
- Registrar cada pedido em um controle único (data, valor, pagamento, status).
- Registrar custos variáveis do dia (frete, embalagem, taxa) sem “depois eu vejo”.
- Separar uma reserva para imprevistos (troca, reenvio, avaria).
- Escrever política curta de troca/devolução e usar sempre o mesmo texto.
- Definir um limite para urgências e pedidos fora do padrão.
- Revisar semanalmente o que deu retrabalho e criar 1 ajuste de regra.
- Separar retiradas pessoais em valor e data, para não confundir com custo.
Conclusão
Errar no começo é normal, mas repetir erro por falta de regra custa caro. Quando você transforma dúvidas frequentes em rotinas simples, o negócio fica mais previsível.
A melhor prevenção é enxergar o que está “comendo” sua margem e o que está bagunçando sua agenda. A partir daí, você ajusta condições, não só esforço.
Qual erro mais te fez perder tempo no início: preço, prazo ou comunicação? E qual rotina simples você acha que conseguiria manter toda semana sem falhar?
Perguntas Frequentes
Como saber se meu preço está baixo demais?
Se você vende bem, mas no fim do mês não sobra nada, é um sinal. Refaça o custo total por venda e inclua taxas, embalagem e tempo. Se o preço mínimo ficar desconfortável, o problema pode ser o produto, o canal ou o processo.
Preciso responder clientes o tempo todo para vender mais?
Não necessariamente. O que costuma ajudar mais é previsibilidade: horários de resposta e mensagens padrão bem escritas. Responder sem rotina pode aumentar ansiedade e erros de combinado.
O que eu devo registrar de cada pedido?
Data, item/serviço, valor, forma de pagamento, custo variável (quando existir) e status (separado, enviado, entregue). Isso resolve dúvidas rápidas e facilita identificar onde você perde dinheiro ou tempo.
Como lidar com pedidos “urgentes” sem virar refém?
Defina uma regra: urgência só com prazo possível e condição clara. Se urgência vira hábito, ajuste seu texto padrão e ofereça somente as opções que você consegue cumprir com segurança.
Quando vale a pena formalizar?
Quando a venda se torna frequente, quando você precisa emitir nota, participar de canais que exigem cadastro ou quer organizar obrigações. Se houver dúvida sobre enquadramento e regras locais, buscar orientação profissional evita dor de cabeça.
Troca e devolução: eu sou obrigado a aceitar sempre?
Depende do tipo de produto, do canal e das regras aplicáveis. O mais importante é ter uma política clara e agir de forma consistente. Em caso de conflito, documente a conversa e procure orientação adequada.
Como escolher um canal de divulgação no começo?
Escolha um onde você consegue manter constância e responder com qualidade. Depois de duas a quatro semanas, avalie pelo que gerou conversas reais e pedidos, não só curtidas.
Referências úteis
Governo Federal — registro e informações sobre MEI: gov.br — registro MEI
Sebrae — conteúdos educativos de precificação e gestão: sebrae.com.br — precificação
Planalto — texto consolidado do Código de Defesa do Consumidor: planalto.gov.br — CDC
